Meningo ACWY: vacina deve passar a ser oferecida na rede pública, mas ainda não há previsão.

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Meningo ACWY: vacina deve passar 
a ser oferecida na rede pública, 
mas ainda não há previsão.

Segundo a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), o Ministério da Saúde vai incorporar a vacina conjugada ACWY ao Calendário Nacional de Vacinação (CNI). O problema está em encontrar laboratório com capacidade para fornecer as doses.

Com a proximidade do dia Mundial de Combate à Meningite - no 24 de abril -, a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) reuniu jornalistas de todo o Brasil nesta quarta-feira (17), em São Paulo. O objetivo foi levar informação e combater as chamadas "fake news" acerca da doença. Na ocasião, especialistas apesentaram os dados mais recentes sobre incidência, prevalência e formas de contágio e prevenção.

No entanto, uma informação chamou atenção: a confimação de que a vacina meningo ACWY - disponibilizada hoje apenas em clínicas particulares - será incorporada ao Calendário Nacional de Vacinação (CNV). "Essa é uma decisão que já foi tomada pelo Ministério da Saúde, mas ainda não temos data", diz a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Carla Domingues.

No entanto, ainda não dá previsão de quando estarão disponíveis. "Não basta o Ministério da Saúde querer comprar, são vacinas que possuem um processo de produção muito complexo. O que podemos afirmar é que já analisamos o perfil epidemiológico, temos autorização, conseguimos o recurso financeiro, mas estamos encontrando dificuldades para encontrar um laboratório produtor", completa.



A coordenadora explicou que, recentemente, foi realizado um pregão - que é a forma de comprar as vacinas de laboratórios privados -, mas nenhum laboratório apresentou proposta. "Vamos lançar, em breve, um novo pregão e, dessa vez, esperamos que a gente encontre um com capacidade de produção. Lembrando que precisamos de 3 milhões de vacinas", conta.

A escolha pela vacina, segundo ela, se deu por conta de "uma mudança no perfil epidemiológico da tipologia W". Mudança que é bastante evidente, por exemplo, no estado de Santa Catarina. Lá, de acordo com números divulgados pela SBIm, em 2007, o sorotipo W representava 4,1% dos casos de meningite. No entanto, no ano passado, esse índice já estava em 39,3%.

ACWY: INICIALMENTE, AOS ADOLESCENTES

Apesar de no Brasil, de forma geral, o W ser o sorotipo que mais acomete crianças de 1 a 2 anos, a estratégia do Ministério da Saúde é, inicialmente, introduzir a vacina ACWY para adolescentes de 11 a 14 anos. O pediatra Marco Aurélio Sáfadi, da comissão técnica para revisão dos calendários vacinais da SBIm e diretor do Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, explica que um estudo recente revelou que de 1.200 adolescentes de 11 a 19 anos, 10% carregavam a bactéria em suas nasofaringes.

"Mais de 95% dos casos ocorrem por transmissão respiratória. De 10 a 15% da população carrega a bactéria meningococco, e a maioria são adolescentes e adultos, por seu comportamento que inclui frequentar locais como baladas e a troca de beijos. Sabemos que essas pessoas podem conviver em harmonia com a bactéria, mas, ao passar para uma criança que não tenha anticorpos para se proteger, pode ser fatal. É dessa forma que a maioria dos casos são transmitidos", explica. Portanto, segundo o especialista, ao vacinar os adolescentes, consequentemente, as crianças também estarão protegidas.



Portanto, a ideia é introduzir a vacina de forma gradual. "Em vez de aplicar a meningo C na faixa etária de 11 a 14, vamos investir na ACWY. A mudança acontecerá progressivamente e, depois, também deverá substituir a C nas crianças", explica Carla.

E A MENINGO B?

Representantes da SBIm: Juarez, Marcos, Carla e Isabella (Foto: SBIm)

Em março, a notícia equivocada de que o neto de Lula teria morrido em decorrência de uma meningite trouxe pânico à população. "Essa notícia movimentou as clínicas particulares em busca da vacina contra a meningite B e ACWY. E a falta de informação sobre o assunto gerou, inclusive, uma indústria com promoções e Apesar da gravidade do tipo B, segundo os especialistas, não há nenhuma expectativa de introdução da vacina na rede pública. "Diferentemente do W, não há aumento do sorotipo B. 

Mas, em nenhum momento, o Programa Nacional de Imunização descarta ampliar faixas etárias. Estamos atentos aos números. Se for identificada a necessidade, ela vai entrar no programa", diz o presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Juarez Cunha, membro da Coordenadoria Geral de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre.



B E ACWY: VALE A PENA PAGAR PELAS VACINAS?

Mas, afinal, qual é a recomendação para os pais? "Como Ministério da Saúde, nós afirmamos que o Calendário Nacional de Vacinação protege as crianças contra a maior parte das doenças. Mas como epidemiologistas, nós diríamos que, sim, é importante vacinar contra todas as formas de meningites. Os pais têm direito à informação, a saber que as vacinas existem, e que elas possibilitam uma maior proteção individual às crianças", afima a coordenadora Carla. 

"A gente vive um cenário muito confuso, pois ao mesmo tempo em que se tem uma baixa cobertura, corremos para as clínicas e pagamos caro por uma vacina quando surge um boato ou notícia de alguém que contraiu a doença. Vacinar não deve ser uma urgência, tem que ser rotina", completa.até 'black fridays' de vacinas, deixando a população ainda mais insegura", afirma a vice presidente da SBIm, Isabella Ballalai, membro do Comitê Consultivo da Vaccine Safety Network (VSN), da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Fonte: Revista Crescer


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